<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051</id><updated>2012-02-16T11:54:02.443-02:00</updated><category term='Esses malditos veados'/><category term='O tradutor do português para o português'/><category term='Não existe avestruz comunista'/><category term='O magarefe'/><category term='Parábola mineira'/><category term='Escola de cavalgaduras'/><category term='Quem não é helmintóide que se previna'/><category term='Força sem sabedoria'/><category term='Corujices'/><category term='Aula de fofoca'/><category term='A escola não vale nada'/><category term='A ovelha e o boi'/><category term='mas não é dois'/><category term='0. Fábula'/><category term='É grande e feio'/><category term='Bicho Plac'/><category term='Os três enganos'/><category term='O menino e o poeta'/><category term='O mestre e o guarda-chuva'/><category term='Asnos volantes e falantes em 4 cargas'/><category term='A vaca mal acompanhada'/><category term='Fábula dissertativa'/><category term='Os maus sentimentos'/><category term='A rosa e o bode'/><category term='Política selvagem'/><category term='paródia'/><category term='A origem de certas espécies'/><category term='A amizade na selva'/><category term='João e Maria'/><category term='A alegria não é o que parece'/><category term='A lebre mais esperta que uma mula'/><category term='O amigo do egoísta'/><category term='Metamorfose'/><category term='Nenhum Projeto'/><category term='parábola'/><category term='O que eu tenho a ver com isso?'/><title type='text'>Livro Sábio dos Ridículos</title><subtitle type='html'>Você acaba de escorregar para interior do mundo ambíguo de um livroblog de fábulas, parábolas, histórias fantasiosas e paródias. Aqui estão reunidas 33 delas publicadas em sites diversos no início desta década. A elas somarei de vez em quando outras novas e corrigirei, para melhor ou para pior, as antigas, de modo que este é um “blog book in process”, para empregar a linguagem hilária e sem sentido dos neoliberais, esses verdadeiros reis do humor negro.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-7528105140618758766</id><published>2011-06-12T00:34:00.004-03:00</published><updated>2011-06-14T08:55:39.247-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Força sem sabedoria'/><title type='text'>Força sem sabedoria</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O filho nasceu. Bonito e forte, os pais se bastaram em ele ser bonito e forte. E, vamos falar a verdade, era um titãzinho bonito e forte. Mas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Primeiro os pais, depois os parentes mais próximos, depois os demais familiares, depois os amigos mais próximos do casal, e os distantes em seguida, depois ainda os professores, todos se foram bastando em ele ser bonito e forte, de modo que faltou sabedoria ao entorno do menino que se foi tornando homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que ele cresceu e não sabe o que fazer com tamanha força que tem, os pais encontram-se perdidos, os parentes se afastam e os amigos imprecam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Agora que ele com sua gangue intolerante de neonazistas ou coisa parecida por nada cria confusão, quebra e arrebenta, atiça cães assassinos sobre banhistas deitados na areia da praia, espanca nordestinos, põe fogo em moradores de rua, usa o carro do pai para aterrorizar o trânsito e uma pistola para atirar em prostitutas e travestis durante a noite, poucos se lembram de que a sabedoria não lhe foi ensinada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Hoje, aqueles que não lhe ensinaram a sabedoria se voltam ao passado e realizam a contabilidade do muito que por ele fizeram, e se perguntam por que é que ele não devolve com dividendos o muito afeto que recebeu, esquecidos de que nesse muito faltou algo essencial: a sabedoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mas por que é que faltou? Ora, porque não tinham para dar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Agora que as coisas ficaram tão graves e não há mais diferença entre esse que já foi uma criança bonita e forte, e com a vida a sorrir-lhe pela frente, e o pior criminoso, o que resta a fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Bem, vocês que se omitiram, vocês agora dizem: ainda resta o Estado, que, de algum modo, sempre dá jeito. Mas há um problema: o Estado não enxerga no bandido a criança que ele foi. Para o Estado, bandido é bandido, na fria letra da lei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Tudo bem, o Estado dará suas próprias soluções. Mas fiquem sabendo, vocês que, encantados com a força e a beleza, se omitiram, e privaram uma criança da sabedoria, vocês destruíram aquele menino bonito e forte, e o Estado agora nada mais é do que as mãos frias de vocês estrangulando o que sobrou daquela criança que tinha a vida a sorrir-lhe pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-7528105140618758766?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/7528105140618758766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/33-forca-sem-sabedoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7528105140618758766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7528105140618758766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/33-forca-sem-sabedoria.html' title='Força sem sabedoria'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-3632791495009124015</id><published>2011-06-12T00:33:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T08:55:58.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metamorfose'/><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quando saiu pela manhã para trabalhar, o príncipe deu azar e encontrou todas as legiões de bruxas de uma só vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A primeira legião engavetou-o no trânsito cheio de fumaça,&amp;nbsp; buzinas – e muito, muito xingamento. Do que resultou que sua face de príncipe torceu-se, enrugou-se, empalideceu até tornar-se uma caricatura grotesca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A segunda legião pegou-o no trânsito enrugado e macambúzio e entregou-o achatado e anuro no estacionamento do prédio em que trabalhava, não sem antes atacá-lo nas costas com dores musculares terríveis que o fizeram trabalhar durante todo o dia curvado como o mais perfeito batráquio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A terceira legião era a das picuinhas do chefe, que era um patife mancomunado com as artes do capeta, ocupado o tempo todo em lhe infernizar a existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;À saída do emprego estafante e pleno de intrigas as hordas do mal não lhe deram refresco, porque as bruxas verruguentas e carunchosas da hora do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;rush&lt;/i&gt; são implacáveis, e se já estava feito sapo, agora é que iria fermentar mergulhado na fumaça dos caminhões, no próprio suor misturado à fuligem e no humor atirado às profundas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Anuro e batráquio, chegou em casa tarde, curvado e de olhos arregalados. Tomou um banho, foi ao berço do filho que dormia e deu-lhe um beijo longo na fronte, outro na filha mais nova, beijos que só terminaram com os longos suspiro da crianças. E o milagre se sucedeu: virou príncipe lindo novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Deitada e vestida desprevenidamente a mulher, em presença de transmutação tão fabulosa, muito se alegrou e ficou bem animadinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-3632791495009124015?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/3632791495009124015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/32-metamorfose.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3632791495009124015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3632791495009124015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/32-metamorfose.html' title='Metamorfose'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-7356515764978675043</id><published>2011-06-12T00:32:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T08:56:17.917-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Asnos volantes e falantes em 4 cargas'/><title type='text'>Asnos volantes e falantes em 4 cargas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Carga nº 1&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Não houvera acidente nenhum, mas o trânsito naquela alameda universitária instantaneamente enveredou para o caótico. A besta da frente com sua carga avançava não como alimária, mas como tartaruga, e a de trás não parava de rinchar em minhas orelhas. E o sol chicoteando labaredas nas nossas fuças não perdoava nossas besteiras. E a fila da direita parada. E a fila da esquerda parada. E a minha fila se movendo a centímetros por centímetros – se é que existe essa unidade de velocidade. E não houvera nenhum acidente naquela alameda universitária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Para encurtar a história, pois se sou burro não sou prolixo, lá na frente uma mula sem cabeça, mal estacionada e na curva, achando que estava na sala de sua estrebaria, falava ao celular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Carga nº 2&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A rua era estreita, estava vazia, mas a cavalgadura que ia à minha frente não desenvolvia velocidade, embora a carroça fosse das mais modernas, daquelas blindadas, importadas, niqueladas, seguradas e emburradas. A tropa atrás zurrava, batia os cascos, jurava vingança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Lá na frente, quando a pista duplicava descobriu-se – já que a besta lenta, por muito favor, permaneceu à direita – que ela, candidamente falava ao celular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Carga nº 3&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;De longe, parecia que o comprido carro de luxo tinha perdido controle e avançado sobre o calçamento para pedestres, a dianteira sobre a guia e a traseira atravessada, ocupando metade da via. Os demais motoristas passavam com cuidado para não acertar a quina do carro que ficara perigosamente no meio do caminho, e para olhar o que sucedera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E sucedera que um cavalo, ao volante de seu automóvel, estacionara, sem mais delongas, para atender ao celular, ao qual ainda falava concentradamente quando esta besta que vos relata passou e constatou de olhos arregalados e coração incrédulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Carga nº 4&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Bem no meio da explicação o celular tocou. A aluna atendeu e foi-se justificando para a amiga o porquê de não ter feito isto ou aquilo. A amiga não aceitava as desculpas, isso não se fazia, mas, poxa, e a amizade não conta? Não, não vamos deixar de ser amigas por isso, mas da próxima vez vê se não fura, que é chato demais, tudo bem, tuuudo bem. Chau amiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Entrementes o professor posicionara-se ao lado da aluna, fazendo micagens e chamando a atenção dos outros sessenta alunos para a conversa que ia animada ao celular. Ao final da ligação, passou uma descompostura na aluna, o dedo indicador apontado para o aviso fixado acima da lousa que dizia “Ao entrar na sala de aula, desligue seu celular”, e a avisou que a reincidência ocasionaria sanções administrativas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ao final da aula, a aluna saiu para o corredor, onde, chorando, esperou pelo professor, ao qual disse entre soluços e lágrimas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Você me humilhou na frente de todo mundo, e isso não vai ficar assim,&amp;nbsp; não. Já telefonei para meu namorado, que é forte como javali e lutador de jiu-jitso, e ele vai te bater na saída.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-7356515764978675043?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/7356515764978675043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/31-asnos-volantes-e-falantes-em-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7356515764978675043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7356515764978675043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/31-asnos-volantes-e-falantes-em-4.html' title='Asnos volantes e falantes em 4 cargas'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-450989708692746167</id><published>2011-06-12T00:31:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T08:56:58.660-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corujices'/><title type='text'>Corujices</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O coruja recebeu o exame da aluna dita mais interessante do ponto de vista físico. Por uns instantes ficou perplexo, mas foi só um instante imperceptível. Então disse à pombinha:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Tire essa caca de nariz que você grudou na folha da prova.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A pombinha de lá seus dezessete anos olhou com desprezo, de cima para baixo, já que ela se encontrava de pé e ele à mesa. E, fixando-o, passou o dedo sobre a meleca ao centro da qual jazia um gracioso núcleo acinzentado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Enquanto fitava com os olhos mortiços o muco que, friccionado, se ia tornando bolinha entre os dedos indicador e polegar da pombinha, o coruja revirava a memória em busca de algo... mas o que era mesmo? Uma lembrança? Mas de quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ah, sim, achou: no ano anterior uma aluna mediana e presunçosa fizera algo parecido: grudara um chicle na prova. Qual fora sua reação, mesmo? Funciona cabecinha, funciona... Ah, nenhuma: fora pego de surpresa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A pombinha atirou a bolinha de caca no chão e entregou a prova em cuja superfície uma pequena mancha pardacenta levemente se inscrevera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O coruja, após receber a folha circulou a mancha com a caneta. E como, ao secar, ficasse quase imperceptível, reforçou-a com um pouco de muco de seu próprio nariz. Então, escreveu na folha uma admoestação à pombinha, leu o conteúdo da prova e lhe atribuiu conceito quatro numa escala de zero a dez, após o que, subtraiu a caca, que, pela mesma escala, valia uns quatro, da qual resultou&amp;nbsp; o conceito zero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Depois disso, o coruja se perguntou por que era que no ano anterior não fizera a mesma conta, se a questão não era mais que de aritmética elementar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-450989708692746167?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/450989708692746167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/30-corujices.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/450989708692746167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/450989708692746167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/30-corujices.html' title='Corujices'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-6924487335769749108</id><published>2011-06-12T00:31:00.006-03:00</published><updated>2011-06-14T08:56:38.335-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábula dissertativa'/><title type='text'>Fábula dissertativa</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quem é do ramo que me perdoe, mas informação é fundamental. Por isso inicio reflexão em forma de fábula esclarecendo que fábulas são narrativas fantasiosas que tem como personagens animais ocupando o lugar de homens e mulheres. De modo que se admite a reclamação de que o que se vai ler a seguir não seja narração. Porém, que se trate de fábula não pode haver dúvidas, já que a questão é, efetivamente, animais e suas animalidades, bestas e suas besteiras, asnos e suas asneiras.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Uma coisa que se deve evitar, mas nem sempre possível em se tratando de fábulas, é o remoer de velhos ressentimentos. Por várias razões, sendo que uma delas é a de que eles nada de edificante e muito de azedume acrescentam aos espíritos, que, de cordatos, podem tornar-se anquilosados, esquivos e mesmo recalcitrantes. Tome-se, por exemplo, o caso da formiguinha e do elefante, com o perdão da rima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;É evidente que o segundo teve um comportamento interesseiro e vil em relação à pobre artrópode. No entanto, não se sabe de atitudes retaliatórias da primeira em relação ao segundo, muito embora a piadinha termine do outro lado do rio e não seja possível, dada a distância, assegurar peremptoriamente os desdobramentos dessa anedota fabulosa de grande sucesso e baixo calão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Outro exemplo de largueza de espírito se verifica nas atitudes do macaco e do elefante, quando se encontraram após uma briga de sopapos, terminada em correria, numa já famosa festa no céu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Conta a anedota que para entrar na dita festa tiveram as bestas que deixar à porta do recinto, pendurados no chapeleiro, elementos essenciais de seus respectivos aparelhos digestórios. E conta ainda que a briga que teve lugar na dita festa degenerou em abalada afoita, seguida, à saída, de troca anárquica dos respectivos elementos da anatomia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O fato de esse troca-troca lesivo não ter redundado em inimizades prova-o a anedota, que termina com diálogo cordial e mesmo bem humorado entre elefante e macaco, o que bem demonstra a superioridade de espírito de ambos. E pouco importa, nesse caso, que um esteja constipado e prestes a explodir e, outro, flatulento e se virando do avesso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, é necessário o público reconhecimento de que, enquanto os bichos demonstram alta capacidade de assimilar e de superar as vicissitudes da vida, o homem parece afeiçoar-se aos emaranhamentos da alma e aos fantasmas perniciosos de antigas picuinhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Exemplo desse estágio catatônico são os candidatos a qualquer coisa, cuja aparência parece refletir fundos ressentimentos para além das fundas olheiras, quando os maus resultados se avizinham.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Sempre com a face áspera e a palavra esbarrando a maledicência, estão longe das qualidades espirituosas apresentadas pela formiguinha, pelo macaco e pelo elefante nas histórias fantasiosas referidas nos parágrafos anteriores&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Em matéria de fábulas, semelham-se a Hardy Har Har, hiena de desenho animado de TV sobre a qual uma nuvem de chuva com raios e trovoadas paira o tempo todo, com a diferença de que ela, ao proferir suas sentenciosas palavras “Oh, vida! Oh, azar! Oh, miséria!”, faz rir, ao passo que os ditos cujos, quanto arregalam os olhos interesseiros e deixam escorrer pelos lábios fauciformes seus discursos cheios de cuspo e ofensas aos adversários fazem-nos desligar a TV, completamente desmoralizados.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-6924487335769749108?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/6924487335769749108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/29-fabula-dissertativa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6924487335769749108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6924487335769749108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/29-fabula-dissertativa.html' title='Fábula dissertativa'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-2877318234100986579</id><published>2011-06-12T00:30:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T08:57:38.252-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quem não é helmintóide que se previna'/><title type='text'>Quem não é helmintóide que se previna</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Em matéria de política e atividades congêneres vermes costumam se dar bem. Não há regime político, econômico e social, assim como não há organismo biológico, que não produza sua própria cultura helmíntica. Estado nenhum está imune às infestações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mas isto aqui não é um tratado de política, nem bula de remédio anti-helmíntico: é apenas uma fábula sem maiores contra-indicações. E como o narrador, por princípio, está sempre do lado dos fracos e oprimidos, previno que o ponto de vista aqui adotado é o menos neutro possível, ou seja, é o dos vermes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Aliás, vermes têm olhos para ter ponto de vista? Bem, se não têm, visão é o que lhes não falta, pois, antevendo mudanças, adaptam-se, migram, proliferam-se e perseveram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Muito se têm criticado as verminoses, mas nunca, nenhuma palavra de reconhecimento é reservada sobre essa formidável capacidade de sobrevivência que têm. Do mesmo modo, silenciam sobre a deliciosa coceirinha da frieira e sobre a divertida caçada ao bicho-do-pé com canivete, que se não são verminose, mereceriam ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Os vermes, diferente de muito organismo dito superior, têm visão sim, inclusive do futuro. E são generosos, pois, mesmo que morram, desovam abundantemente, de modo que asseguram a perpetuação da espécie, ou seja, estão sempre pensando nos filhos e nos filhos dos filhos. É como se dissessem “Eu morro, mas meus ovos (milhões) ficam”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Não é só visão de futuro que têm, não: têm visão de mundo também. É certo que seja visão de mundo interior, já que se trata de uma perspectiva intestinal no mais das vezes. Mas, digam lá, quantos seres humanos têm uma visão de mundo qualquer, ainda que visceral, duodenal ou micótica?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Só sabem acusar, acusar e acusar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Parasitas! É o que dizem. Parasitas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Parasitas, sim... mas vivos! Vivos! Ouviram? Vivos! E lutando pela perpetuação da espécie!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E por falar nisso, quando são as próximas eleições?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-2877318234100986579?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/2877318234100986579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/28-quem-nao-e-helmintoide-que-se.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2877318234100986579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2877318234100986579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/28-quem-nao-e-helmintoide-que-se.html' title='Quem não é helmintóide que se previna'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-3211593694528155167</id><published>2011-06-12T00:30:00.006-03:00</published><updated>2011-06-14T08:57:19.719-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política selvagem'/><title type='text'>Política selvagem</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O leão estava para morrer e a bicharada se agitava em torno da sucessão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O problema das monarquias é que toda sucessão envolve golpes baixos, disputas desonestas, intrigas de bastidores, traições de todo tipo, velhacarias e, algumas vezes, revoluções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Não foi diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Os coiotes e as hienas se uniram para forçar a criação de um conselho transitório, até que o antigo ocupante do trono estivesse devidamente morto, frio e devorado. Caberia a esse conselho também determinar as regras do processo sucessório e coroar o novo ocupante do acento real. Porém, essa tese não vingou pelos muitos motivos que a política monárquica, sempre cheia de coiotes, em sua lógica de disputas rasteiras pelos altos postos, comporta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Os felinos nobres lançaram a consigna do parlamentarismo bicameral: a câmara dos deputados ficaria para leopardos e onças, o senado, para tigres; aos leões, livres para decidirem entre si, permaneceria o privilégio da coroa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Aproveitando da barafunda, os orangotangos tentaram um golpe animal, mas não obtiveram sucesso, pois não conseguiram ir além do uga-uga de grande efeito entre correligionários, mas incompreensível para os demais membros da bichada sociedade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Entrementes, os passarinhos, coelhos, pacas e demais bichos, cansados de ser repasto de feras, passaram a realizar assembléias secretas, a divulgar folhetos subversivos e a tramar a instauração de um novo regime sem predadores, sendo, por isso, acusados de conspiração contra a ordem natural.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O velho leão acabou morrendo mesmo e, preocupados com a revolta dos zé-bichinhos, os animais superiores, em dentes e patas, empossaram sem maiores delongas o sucessor direto, com a missão de sufocar a intentona, que já se alastrava sob a insidiosa consigna: “Caça escondida jamais será comida”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Enquanto os debaixo não se metem em política, a ordem dos de cima não corre o risco de se tornar vegetariana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-3211593694528155167?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/3211593694528155167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/27-politica-selvagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3211593694528155167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3211593694528155167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/27-politica-selvagem.html' title='Política selvagem'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-1699643557285600106</id><published>2011-06-12T00:29:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T08:57:59.625-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A origem de certas espécies'/><title type='text'>A origem de certas espécies</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Na biologia Darwin pode ser que apite, e muito, mas em se tratando de bichos simbólicos, o barbudo não manja nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Plauto, que não era darwinista e muito menos adivinhava que um dia a Inglaterra ia existir, diz que o homem é o lobo do homem – vejam só o que é o plágio, Hobbes acabou ficando famoso por essa frase e isso é que é ser lobo, o resto é amadorismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Voltemos a Plauto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Vejam bem, Plauto não diz que o lobo é o lobo do lobo, o que seria uma baita confusão, nem que o homem é o homem do homem, o que seria uma maledicência, notem bem: disse o que eu disse um pouco antes. Sendo assim, o que ele quis dizer com o que eu disse? Não sei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mas há aí uma proposta pouco decorosa de promiscuidade entre espécies, cuja resultante só pode ser descendentes inférteis, como mulas, por exemplo, segundo o ponto de vista de darwinistas convictos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;No entanto, essa máxima pláutica, plautônica, plautina, ou seja lá o que for – Homo homini lupus – não pára de produzir, maléficas, sim, mas carradas de proles&amp;nbsp; e descendentes abundantes, entre eles o neoliberalismo, a intolerância e a Xuxa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O leitor pouco convencido do fiasco darwinista no mundo das besteiras vai querer mais um exemplo. Dou dois, ou melhor, três, já que um é acidente, dois é coincidência e só três é que, virtualmente, pode ser considerado fenômeno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O primeiro é o do pingüim de geladeira. O que é que faz ele lá em cima, se seu habitat natural é dentro dela?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Vão dizer que ele evoluiu, subiu de patamar e outras coisas mais, de conformidade com o evolucionismo. Porém, se assim fosse, se ele realmente tivesse subido de patamar, não teria ido parar sobre um frigidaire, mas teria, isto sim, se a questão é subir, ido parar no Pólo Norte, onde, coerentemente seria devorado por ursos polares, tal como preconiza a surrada e infame anedota.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O segundo exemplo de como Darwin está completamente por fora do mundo das asneiras é o da vaquinha de presépio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ora, um darwinista clássico não tem como explicar o que é que faz uma curiosa vaquinha na singela cena do nascimento do menino Jesus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E a explicação pode ser das mais simples e bestas: alguém pode ter achado decorativo botá-la de assistente dos reis magos, todo mundo gostou e assim é que começam as carreiras de sucesso: a pessoa certa no lugar certo, no caso, a vaca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O terceiro e agora definitivo é o do bode na sala. Por Deus do Céu! Como é que o darwinismo evolucionista, ou o evolucionismo darwinista, vai explicar um bode na sala? Tudo bem, no mundo biológico uma espécie só permanece se for necessária. Mas então façam o favor de me dizer: que necessidade há de ter um bode na sala?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A resposta é "nenhuma": bota-se um bode na sala para se tirar o bode da sala. E enquanto todos implicam com o bode, podem cair as paredes que ninguém se incomoda: o que importa é se livrar do bode.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nos meios políticos, bodes na sala não faltam. Muitos botam bode na sala e batem bumbo com sucesso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Bem, disse que daria três exemplos de furos bestiais de Darwin, pois dou um quarto, e aqui vai ele: pinguim de geladeira, vaca de presépio e bodes na sala não são animais, mas vegetais, e da mesma espécie: pepinos, que, nesse aspecto, são aparentados dos abacaxis e do papagaio de pirata das fotos ministeriais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Esses seres não tem nada que estar onde estão, no entanto, abundam nos lugares onde não tinham de estar. É isso que revolta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Por isso dispensamos educadamente com o uso da metáfora alguém que não foi convidado a uma discussão: "Sai fora, pinguim de geladeira". Do mesmo modo, dizemos de alguém que, não prejudicando, nem acrescentando nada à cena, aparece como decoração: "É vaquinha de presépio".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&amp;nbsp;Quanto ao bode na sala... basta dizer que a grande imprensa estaria falida se não fosse ele. Acho até que ele é free-lance da &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Quanto aos papagaios de pirata, me recuso a falar desses cabras, espécimes aparentados dos bicudos que se metem em conversa alheia, que, desde que a fotografia foi inventada, não perdem&amp;nbsp; oportunidade de pegar carona por trás do ombro de quem quer que esteja no primeiro plano, seja ele ministro democrata, seja ele líder fascista.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-1699643557285600106?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/1699643557285600106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/26-origem-de-certas-especies.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1699643557285600106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1699643557285600106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/26-origem-de-certas-especies.html' title='A origem de certas espécies'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-2854493095337098847</id><published>2011-06-12T00:28:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T08:58:37.476-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parábola mineira'/><title type='text'>Parábola mineira</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Conheci um elemento que tinha o péssimo hábito de espinafrar os outros. Não perdia a oportunidade de espinaframentos os mais vexatórios. Seja por ter uma porção de casas e automóveis, seja por ser forte e, para os padrões médios, bem apessoado, punha-se um ou dois degraus acima dos mortais e despejava sua cultura geral, lingüística e administrativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Faxineira, mensageiro, secretária, gerente não escapavam às suas espinafrações. Nem a esposa – que adorava dar também suas espinafradinhas –, nem os filhos – se bem que merecessem, esses espinafrados...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Um dia, ao chegar ao trabalho, notei que estava tudo a maior espinafração. Se eu fosse desses de espinafrar, saía logo espinafrando todo mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O que é que está acontecendo por aqui, pode-se saber? Fui logo tomando a iniciativa, antes que me espinafrassem aos gritos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O que acontece? O que acontece? O que acontece é que estamos fartos dessa espinafração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sim... mas... qual?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Como qual? Todas, ora!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas... todas? Aí já é muita espinafração! Cadê o homem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quer saber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Uai! Seria bom, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Reagiu a uma espinafração no semáforo e foi espinafrado a queima-roupa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Espinafres, que serás também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-2854493095337098847?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/2854493095337098847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/25-parabola-mineira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2854493095337098847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2854493095337098847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/25-parabola-mineira.html' title='Parábola mineira'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8140043123188312724</id><published>2011-06-12T00:28:00.006-03:00</published><updated>2011-06-14T08:58:19.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os maus sentimentos'/><title type='text'>Os maus sentimentos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O orgulhoso encontrou o invejoso e lhe disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Desafio-te a uma prova de corrida, vencer-te-ei e humilhar-te-ei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Se é assim, então eu topo – disse-lhe o segundo. – Mas com uma condição...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ora, ainda ousas? Vá lá... Como sou por demais benevolente, consinto. Diga qual é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O juiz, eu indico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Feito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;No dia seguinte, à hora e local combinados, encontraram-se o orgulhoso, o invejoso e o rancor, escolhido juiz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quando ouvirem minha arma disparar, corram, disse o rancor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Então, deu um tiro no orgulhoso, matando-o instantaneamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas... como? Espantou-se o invejoso. – Como é que vencerei se não tenho nenhum orgulhoso com quem competir?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ó idiota, corra e vença! Disse o rancor, fora de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não! Sem orgulho, de que vale a inveja?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Então, morra também, asno!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E deu-lhe um tiro fatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Entre o orgulho e a inveja, o que sobra é o rancor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8140043123188312724?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8140043123188312724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/24-os-maus-sentimentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8140043123188312724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8140043123188312724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/24-os-maus-sentimentos.html' title='Os maus sentimentos'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-1523801209312482724</id><published>2011-06-12T00:27:00.004-03:00</published><updated>2011-06-14T08:59:03.912-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O tradutor do português para o português'/><title type='text'>O tradutor do português para o português</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A hiena sempre que participava de reuniões procurava dar um jeito de falar após todos se terem manifestado. E aí residia sua esperteza, pois, daquilo que ouvira e que repercutira bem na platéia, repetia um tanto, de forma mais colorida e elogiosa, com tripla vantagem:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;1) ficava de bem com quem fora objeto de sua paráfrase – não há bobalhão que não se infle com elogios públicos;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;2) se apresentava ao conjunto estupefato de ouvintes como possuidora de inconfundível habilidade verbal – embora se fizesse, na verdade, mera intérprete astuta de uma porção de idéias que, ao fim das contas, nem suas eram, e que talvez nem fossem inteligentes;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;3) podia versar também sobre o que não gostara de ouvir emitindo opinião derradeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nas ocasiões relacionadas ao item 3, escolhia pedaços de falas alheias, apresentava-os como portadores de defeitos ridículos e os reinterpretava para o conjunto dos participantes, prontos a caçoar das pobres vítimas das citações malévolas – astúcias de hiena.&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;De bem com quem citava para fins de ser admirada, como fica evidente pelos itens 1 e 2 anteriormente citados, e odiada por quem tivera suas palavras traduzidas distorcidamente, como se constata pelo item 3 idem, ibidem, rindo ao final em ambos os casos, um belo dia ocorreu que a hiena, segura de si, ousou falar em primeiro lugar. Então...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O que o conjunto da bicharada ouviu sair daquela boca de carniça foi algo que não se sabia se era latido, uivo, miado, risada, ou nada, do que todos depreenderam que palavras de hiena, quando não são as últimas, para se parecerem com verdades, são apenas esgares sem sentido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Trouxa de quem deixar hiena falar e rir por último.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-1523801209312482724?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/1523801209312482724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/23-o-tradutor-do-portugues-para-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1523801209312482724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1523801209312482724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/23-o-tradutor-do-portugues-para-o.html' title='O tradutor do português para o português'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-3209479705637557582</id><published>2011-06-12T00:26:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T08:59:46.073-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O que eu tenho a ver com isso?'/><title type='text'>O que eu tenho a ver com isso?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O primeiro coveiro sonhou que, se continuasse a enterrar mortos em chacinas, suas mãos cairiam, por isso, comunicou aos seus superiores que passaria a enterrar apenas mortos por velhice.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O segundo coveiro sonhou que conseguiria vencer o alcoolismo se tomasse a sóbria atitude de enterrar apenas defuntos de mortes naturais. Contou aos seus superiores o sonho que tivera e comunicou-lhes sua estranha decisão grevista motivada pelo dito sonho. Com isso, quitou seu mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E como o surto de sonhos de coveiros não cessasse mais, não houve mais coveiros em São Paulo para enterrar vítimas de mortes violentas, nem mesmo por atropelamentos, quedas acidentais e similares, um exagero irrealista digno de histórias fantasiosas, de modo que os corpos foram-se acumulando por toda parte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Bem que o prefeito e o governador apelaram para os demais estados da Federação, mas o maldito regionalismo, impasses relativos a lucros com traslados, alíquotas de impostos municipais, estaduais, federais, e intrigas partidárias impediram que as negociações chegassem a bom termo. Um governador adversário cunhou, inclusive, uma frase de efeito: temos nossos próprios mortos a enterrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O caos instaurou-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O exército engrossou para o lado das companhias funerárias; o governo federal soltou uma nota oficial; os EUA ameaçaram invadir ou jogar bombas. Então, pressionado pela oposição e abandonado pela situação, o governador foi à imprensa para revelar: a culpa era dos coveiros, esses soturnos vagabundos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Conscientizados acerca dos verdadeiros responsáveis pelo mórbido descalabro, os mortos violentos, profundamente irritados, muito embora divididos entre governistas e antigovernistas, numa atitude verdadeiramente tresloucada, enterraram vivos todos os coveiros que estiveram à mão, acompanhados de seus familiares, vizinhos, congêneres e suspeitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Diz a imprensa fantasiosa que a situação está fora de controle dos líderes do movimento de salvação dos mortos que, neste momento, dirigem-se à sua casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Desconfie se lhe baterem à porta com uma pá sobre o ombro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-3209479705637557582?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/3209479705637557582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/22-o-que-eu-tenho-ver-com-isso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3209479705637557582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3209479705637557582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/22-o-que-eu-tenho-ver-com-isso.html' title='O que eu tenho a ver com isso?'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8050455562529966366</id><published>2011-06-12T00:26:00.006-03:00</published><updated>2011-06-14T08:59:23.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nenhum Projeto'/><title type='text'>Nenhum Projeto</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nenhum Projeto caminhava como o planejado na rota dos seus distantes parentes, os práticos objetivos e os poéticos sonhos, quando a cocaína entrou na parada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Como vai, Nenhum Projeto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nenhum olhando-a mudo e pasmo pelo encontro inesperado pensou consigo: carreirinha sem futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Para qualquer lugar que você for, disse-lhe ela, chegará mais rápido se me levar na cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Promessas... vamos nessa, refletiu Nenhum, por coincidência espantosa, tomado de um formidável acesso de espirros. E, quando pode conter-se do &lt;i&gt;atchins&lt;/i&gt;, verificou que a farinha branca tinha sumido misteriosamente. Bola pra frente, pensou, assuando-se não sabia bem se com repulsa ou prazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mais à frente, encontrou a garrafa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Me leve com você, disse-lhe a garrafa. Tornarei seu caminho mais suave e alegre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O Projeto Nenhum a levou então e pelo meio da jornada percebeu que ela se ia tornando maior e mais pesada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Abandonou-a ao constatar que, rastejando, se atrasara em anos, e que, se a distância que o separava de seu destino não aumentara, tornara-se mais penosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mal se punha então novamente a tomar a justa rota quando uma figura se aprochegou sem mais delongas. Era o desânimo, também tido e havido por pasmaceira, leseira, marasmo e, em certas circunstâncias, confundido com amarelão, impaludismo ou verminose.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Tra... ba... lhas de... mais – &amp;nbsp;disse-lhe, o desânimo. Se ti....ves...ses os pés fin...cados bem no chão, se te con...for... mas...ses com a re...a...li...da...de de que a vi...da é as...sim mes...mo du...ra e se não te pre...o..cu...pas...ses tan...to com ob...je...ti...vos e so...nhos dis...tan...tes, ias vi...ven...do de qual...quer jei...to. O..lhe pa...ra as ta...tu...ra...nas: an...dam pou...co e co...mem mui...to... O...lhe pa...ra as es...ta...cas das cer...cas: di...ver...tem...-se em ver tu...do a pas...sar por elas. Pa...ra que fi...car pen...san...do nos den...tes se e...les ain...da não es...tão do...en...do?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como desse muita conversa ao desânimo, Nenhum Projeto viu seus irmãos mais jovens passarem e irem céleres. No momento em que espantou o importuno interlocutor e retomou o passo, Nenhum sabia mais que rumo tomar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vai por ali, disse-lhe o engano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não, é melhor parar, é perigoso ir – replicou o cagaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Desconfiado, Nenhum Projeto seguiu ambos os conselhos, indo até a encruzilhada mais próxima e lá parando, oportunidade em que seriam entrevistados todos quantos por lá passassem sobre rotas possíveis, ao fim do que, por comparação, Nenhum decidiria por própria conta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Nenhum projeto está livre de palpiteiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8050455562529966366?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8050455562529966366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/21-nenhum-projeto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8050455562529966366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8050455562529966366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/21-nenhum-projeto.html' title='Nenhum Projeto'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8448223562073995661</id><published>2011-06-12T00:25:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:00:05.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O mestre e o guarda-chuva'/><title type='text'>O mestre e o guarda-chuva</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Estava o mestre sob o seu enorme guarda-chuva quebrado quando o discípulo desceu do ônibus correndo ao seu encontro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Professor, me dê uma carona.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Grande era a quantidade de água que caía do céu e, pensando nisso e nos bons exemplos de solidariedade, o mestre concordou, assumindo ares de filósofo estóico, que são sempre bonzinhos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Faça o seguinte, amado discípulo – disse o mestre –: como você mora duas quadras após minha casa, deixe-me nela e leve o guarda-chuva consigo; me devolva depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E assim foi feito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;No dia seguinte, o discípulo mudou-se para uma terra distante. E levou para sempre o guarda-chuva, que nem por estar quebrado era menos útil. Já faz três anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Para um mau discípulo, mais vale um guarda-chuva quebrado que um bom exemplo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8448223562073995661?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8448223562073995661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/20-o-mestre-e-o-guarda-chuva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8448223562073995661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8448223562073995661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/20-o-mestre-e-o-guarda-chuva.html' title='O mestre e o guarda-chuva'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-4272598529414923376</id><published>2011-06-12T00:24:00.008-03:00</published><updated>2011-06-14T09:01:25.088-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O menino e o poeta'/><title type='text'>O menino e o poeta</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quando tinha oito anos de idade, Plínio encontrou pela rua uma latinha de extrato de tomates vazia. Ao invés de proceder como todo menino normal – ou seja, chutá-la –, poliu-a, poliu-a, poliu-a até que ela luzisse como um espelho curvo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Então...&amp;nbsp; Cabrum! Apareceu um gênio na superfície brilhante da latinha. Era como se um sonho se realizasse, pois sempre quisera conhecer um gênio pessoalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Você é o gênio da lampa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não, sou o gênio da latinha de extrato de tomates.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Plínio levou um baita susto, pois a imagem na superfície espelhada tinha sua própria cara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Como você consegue ter uma cara semelhante? – perguntou ao estupefato gênio, mais maravilhado ainda com a descoberta de que a resposta&amp;nbsp; “Ora, eu sou você!” saíra-lhe da própria boca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Você é ventríloquo? Ilusionista?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Palavras bonitas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Eu sei muitas outras. Mas nem todo mundo sabe o que significam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Já que é tão sabido, quero ver se consegue pronunciar a palavra que nem estou pensando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nisto houve um sério entrevero entre o menino e o gênio da latinha polida de extrato de tomates, pois, como um olhava e falava pela imagem do outro, ninguém sabia quem perguntava e quem respondia, o que rendeu um croque no cucuruco do menino, dado pela mãe, que não suportava vê-lo falando sozinho e nem sabia que ele um dia ia se tornar poeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Quem não ouve a mãe pode acabar mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-4272598529414923376?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/4272598529414923376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/19-o-menino-e-o-poeta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4272598529414923376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4272598529414923376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/19-o-menino-e-o-poeta.html' title='O menino e o poeta'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8582909461745734565</id><published>2011-06-12T00:24:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T09:00:33.591-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O magarefe'/><title type='text'>O magarefe</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O preguiçoso precisava cortar os cabelos e fazer a barba. Mas o salão do barbeiro ficava longe demais – dois quarteirões, afinal de contas, são uma vida em distância, e, com o calor que fazia, havia ainda o sério risco de se apanhar uma insolação fatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A peste de se residir em bairro estritamente residencial é essa: tudo fica longe, a padaria, a cinco minutos, a feira, a oito, a farmácia, a dez e o salão do barbeiro... a doze! Peste de país subdesenvolvido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Sem outra alternativa, o preguiçoso vestiu a roupa de sair lentamente e dirigiu-se devagar e contrafeito ao seu destino, assobiando em baixa rotação para ver se esquecia o calor e a distância. A meio do caminho, observou que um novo estabelecimento comercial ganhara espaço, que sorte, a seis minutos de sua casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Não era exatamente uma barbearia, o dono que afiava seus instrumentos de trabalho atrás do balcão não se parecia com um cabeleireiro e muito menos a poltrona excessivamente reclinável se parecia com cadeira de um salão de beleza. Tinha porém a vantagem de estar a meio do caminho, de oferecer uma sombra fresca embora lúgubre e de estar vazio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Vou ficando por aqui, pensou o preguiçoso, e se fico sem o corte de cabelo e com a barba por fazer, ao menos não me canso e volto mais rápido para casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O dono do estabelecimento, ou o que for, convidou-o a tomar acento, o que efetivamente fez, repousando a cabeça muito para trás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Corte alto ou baixo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Qual a diferença?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;No baixo, o pescoço acompanha a cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O preguiçoso juro que pensou em prolongar a conversa para dirimir as dúvidas sobre o tipo de corte, mas juro também que pensou no trabalho que daria prolongar conversas e dirimir dúvidas. E, enquanto observava o estranho dono do estranho estabelecimento comercial a afiar seus estranhos instrumentos de trabalho, sem estranhar nada foi respondendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Seja como for, contanto que não seja rápido demais, que se tem uma coisa que me dá prazer é essa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O estranho barbeiro, este sim estranhou, arregalou os olhos e pensou sem sombra de preguiça em como o masoquismo tem adeptos no mundo. E assim pensando, com horror, trocou o cutelo pelo serrote de lâmina curta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8582909461745734565?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8582909461745734565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/18-o-magarefe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8582909461745734565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8582909461745734565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/18-o-magarefe.html' title='O magarefe'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-6838827316998345233</id><published>2011-06-12T00:20:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:01:49.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bicho Plac'/><title type='text'>Bicho Plac</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O bicho mais odioso é o plac&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O bicho mais odioso é, sem dúvidas, o plac.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como azzzzim, plac?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como “como assim?”? É o plac, bolas! Essa é minha opinião sobre essa maldição plac Será que posso ter uma opinião? Plac. Será que posso ter uma opinião? Plac.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Zzzzzuzzo bem, zzzzuzzzo bem. Ninguém aqui tem a intenzzzzzzão de ficar lhe azzzzzucrinando, mazzzz, zzze poderia zzzze ezzzzzplicar maizzzzz claramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Tá, então tão. Plac. O plac pertuba...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Com zzzzzua permizzzzzão, mazzzzz a palavra é “perturba”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Isso, isso. Acaba com o humor de qualquer cristão...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Zzzzze me permite um aparte... não conzzzzta que Plac zzzzejam prezzzzonzzzzzzeitozzzzozzzz religiozzzzozzzzz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;É, né? Plac tem a mania de interromper a conversa dos outros. Acorda a gente no meio do sono, parece que vai entrar no ouvido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Izzzzzzo nunca. Nunca houve um cazzzzzzzzo zzzzemelhante de penetrazzzzzzzzzzão auditiva por um... Plac.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nunca, né? Tome isso, isso e mais isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Zzzzzzzzzzznão dá para dialogar com ignorantezzzzzzz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Odioso, não foge não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;ZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Plac!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Tomou, placudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-6838827316998345233?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/6838827316998345233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/17-bicho-plac.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6838827316998345233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6838827316998345233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/17-bicho-plac.html' title='Bicho Plac'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-274776205475486841</id><published>2011-06-12T00:16:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:03:47.649-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O amigo do egoísta'/><title type='text'>O amigo do egoísta</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O egoísta tinha uma porção de sonhos, os quais foi abandonando para se dar bem na vida. Acumulou em porções um montão de dinheiro, o qual lhe proporcionou saúde, felicidade, conforto, muitos e muitos amigos, dos quais muito tirou proveito, ao cabo do que, apenas um, por muito amá-lo, restou, sem fazer caso de ser tomado por servil, subalterno e bobalhão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Dotado pela natureza de especial capacidade de para tudo ter perdão e explicação, o amigo do egoísta lhe recompunha a imagem depauperada e interpretava a todos a essência de suas dele-egoísta ações, em relação às quais, todavia, ninguém se enganava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Muito doente, o egoísta solicitou a visita do único amigo, o qual compareceu prontamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sei que és meu único amigo neste mundo, disse então o egoísta ao fiel amigo. – Por esse motivo, só posso recorrer a ti. Estou morrendo, e isso é para mim uma dor atroz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O amigo do egoísta matutou, matutou e...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pois eu tenho a solução: morro eu em seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Assim se deu e assim continua se dando até hoje. E por isso o egoísmo é diariamente imortal: sem desejar morrer própria morte, sempre encontra um bobalhão que aceite morrê-la em seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-274776205475486841?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/274776205475486841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/16-o-amigo-do-egoista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/274776205475486841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/274776205475486841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/16-o-amigo-do-egoista.html' title='O amigo do egoísta'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-2643615385797661167</id><published>2011-06-12T00:15:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:04:31.833-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não existe avestruz comunista'/><title type='text'>Não existe avestruz comunista</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Um amigo meu, dado a ociosas reflexões, disse-me que qualquer pessoa medianamente informada sabe muito bem que não existe avestruz comunista, pela simples razão de que avestruzes não falam coisa com coisa, não pensam coisas aproveitáveis e, ao enfiarem a cabeça em buracos, não acrescentam coisa nenhuma à luta revolucionária, muito embora sejam bichos simpáticos, divertidos, excelentes atores de desenhos animados – e com o que acabara de dizer por antepenúltimo e penúltimo já não estaria bem certo se eles não mereceriam mesmo o direito de ingresso no partido do proletariado, malgrado seus vícios, fique no ar se esses “seus” refere-se aos bichos ou ao partido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E vejam, meus amigos, o que é a fraqueza de vontade e propósito... Acabara de alinhavar umas tantas razões contrárias à filiação de avestruzes às hostes da revolução e já se ia animando a contar a fábula de um avestruz imbuído de sinceros sentimentos de justiça social e devoção à causa dos oprimidos – o que inutilizaria o próprio título da história que teria a contar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Então, o certo seria consertar esse engano derivado da instabilidade de opinião desse meu amigo, antecipando o adjetivo no título, que modificado, se tornaria “Não existe comunista avestruz”, o que não resolveria o problema, pois o assunto passaria a ser doravante o comunista, tornado substantivo, não o simpático e divertido avestruz, pouco adequado a um comunista, ou a quem quer que seja que não aprecie enfiar a cabeça na areia deixando o corpo exposto ao vento e às demais intempéries ou riscos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Melhoremos a formulação, modulando então o verbo com o acréscimo de um advérbio: “Não existe avestruz comunista ainda”, com o que, é forçoso reconhecer, o resultado fica ainda piorado, pois, nesse caso, o advérbio “ainda” assume ares de profeta a anunciar&amp;nbsp; um porvir de comunistas-avestruzes, idéia não sem pés nem cabeça, mas pernalta e com cabeça afundada na areia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Pois então, fora com o advérbio de negação: “Existe comunista avestruz ainda”. Bem, reconheçamos agora, esse título seria de uma grande infelicidade, pois acolhe três sentidos ambíguos, todos reprocháveis: o primeiro, o que reprova a existência de comunistas avestruzes e incita a extinção dessa espécie, o que seria ecologicamente lamentável, numa época em que tanto se luta pela biodiversidade; o segundo, o que, partidário da preservação da espécie, constata e lamenta a prática predatória contra os poucos comunistas avestruzes restantes; e o terceiro, que, reconhecendo a possibilidade de existência de semelhante espécime, augura sua evolução para outra realidade com a cabeça menos enfiada em obscuros buracos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Seja como for, eu, que com a melhor das intenções me dispus a passar adiante as ociosas reflexões desse meu amigo, vou desistindo de tratar de avestruzes comunistas e de comunistas avestruzes, porque, como se vê, se não existem, esta conversa, que iniciou por ser proveitosa, terminou em perda de tempo; ao passo que, se existem, sendo o avestruz comunista, não merece realmente crédito de seriedade quem figura de coadjuvante em desenho animado, pela própria natureza cômica desse gênero de arte; e sendo o comunista avestruz, não há consenso acerca de que ele não deva ser extinto, enquanto avestruz – que fique bem explicado –, pela própria natureza falha desse gênero de anomalia zoopolítica. Fui claro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Claríssimo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-2643615385797661167?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/2643615385797661167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/15-nao-existe-avestruz-comunista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2643615385797661167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2643615385797661167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/15-nao-existe-avestruz-comunista.html' title='Não existe avestruz comunista'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-2143464691138571970</id><published>2011-06-12T00:14:00.008-03:00</published><updated>2011-06-14T09:05:22.174-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esses malditos veados'/><title type='text'>Esses malditos veados</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Já bem tarde da noite um vizinho bateu à porta de meu apartamento, a pintura da cara toda borrada de chorar. Percebi que o assunto era delicado, porque ele não se entendia bem com os condôminos, eu incluído.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Entrou mudo e saiu calado, quando já era quase manhã de segunda-feira. Fiz umas perguntas, as quais ficaram sem resposta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Olhava o vazio, olhava para mim, cobria o rosto com as mãos, soluçava estranhamente e borrava ainda mais a pintura, a essa altura ridícula. Por entre os dedos, para as costas das mãos corria-lhe a tinta grossa dissolvida pelas lágrimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Indiquei-lhe com desprezo e com o queixo a cozinha – banheiro de apartamento de divorciado está sempre fora de condições de uso para visitas –, onde a torneira defeituosa da pia pingava sobre panelas sujas e cheias de água. Ele, então, tirou de uma sacolinha que trazia presa à cintura um estojo com espelho e apetrechos de maquiagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Sempre o encontrara altas horas da madrugada no elevador, feito uma boneca. Vendo-o agora decompor sua identidade inventada diante do espelho pequeno e delicado – nas costas do qual a figura holográfica de uma bailarina adolescente mudava o passo de dança conforme a incidência da luz –, é que compreendi o quanto não era ele um tipo desengonçado de humanidade, mas o quanto meus olhos, entre o de outros, eram lentes deformadas para o que fosse diverso à minha percepção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Fui à geladeira, apanhei a jarra de água mineral, o frasco de água boricada e os ofereci para que ele refrescasse a garganta e os olhos irritados. Agora, a respiração suavizada, as pálpebras empapadas nos algodões umedecidos na água fresca, suas mãos retiravam do rosto, com mais cuidado e em gestos cegos, as borras de pintura. A face de barba sonada que foi surgindo da limpeza realizada com um pom-pom rosa e com creme de beleza era de um jovem de, talvez, trinta e poucos anos (o nome técnico para essa barba amanhecida é “o xuxu tá gritando”, explicou-me depois outro entendido).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Enquanto o rosto surgia por sob a máscara, pensei nas ofensas que todos lhe dedicávamos direta ou indiretamente, por causa de seus trajes de colombina e de seus modos afetados para um país em que coçar o órgão genital em público é mais marca de identidade sexual do que grosseria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Bebeu em vários pequenos e lentos goles a água mineral depositada num copo que tirara do secador da pia, retirou dos olhos as mechas de algodão, foi à única cadeira posta ao lado da mesa, sentou-se nela, apalpou as mechas na água boricada, jogou a cabeça para traz, tirou a peruca, fechou os olhos e descansou novamente neles os algodões embebidos, após o que, suspirou, deixando caírem os ombros, num gesto acusador, pelo tanto de desalento que expressava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span lang="ES-PR"&gt;Fui até a sala, pus para tocar um disco de música cubana: &lt;i&gt;mi tierra linda, porque te quiero, yo aquí te canto mi son entero&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;Ele sorriu, talvez pelo revide mudo que estava dando, talvez pela música. Sorriu e ficou ali, a cabeça jogada para trás na cadeira, até se recompor e se ir sem dirigir palavra nem olhares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nunca repara que o rapaz que me cumprimentava polidamente toda manhã no elevador, olhos baixos e humilhados, era o transformista do décimo sexto, ofendido o todo tempo pelas ironias, chacotas e patifarias de um grupo infeliz de moradores do meu condomínio, do qual eu fazia parte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ao final da manhã do mesmo dia, encontrei-o no elevador, paletó simples e de linhas corretas, gravata discreta, sapatos polidos, barba impecável, cabelos oleados, um primor. Ou mal me engano, ou pela primeira vez sorriu-me, sem baixar os olhos, olho no olho. E aquele olhar continha mais acusações de humilhação de que muita denúncia em papel, e mais lições de humanidade do que todos os mal aproveitados anos nos bancos escolares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Não é preciso que um humilhado bata às três horas da madrugada na porta de sua casa para que você perceba que nem está agradando, nem está sendo suficientemente gente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-2143464691138571970?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/2143464691138571970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/14-esses-malditos-veados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2143464691138571970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2143464691138571970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/14-esses-malditos-veados.html' title='Esses malditos veados'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8894137129454004425</id><published>2011-06-12T00:14:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T09:04:58.889-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escola de cavalgaduras'/><title type='text'>Escola de cavalgaduras</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como se trata de uma fábula, a escola se chamava Pocotó. O professor entrou relinchando na sala de 5ª série sem obstáculos. Sucede que estava uma arara, em razão de um pardal ter-lhe sujado a cabeça com uma... como direi... bem, prudentemente, vamos passar por essa sem pôr o dedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Essas pestes! Não deviam ter asas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como as crianças cavalares não soubessem de que se tratava, ficaram achando que as pestes eram elas. Mas tem sempre um que, se coçando, acaba abrindo os beiços, mostrando os dentes e emitindo seu ruído característico:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Irrirri, irrirri...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quem foi o engraçadinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O professor estava verdadeiramente irritado e com o firme propósito de dar coices e pinotes no primeiro que pudesse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quem foirrirri? Seja homem e assuma! (O "seja homem", aqui, trata-se de figura de linguagem).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Fui eu, irrirri, irrirri, irrirri – respondeu todo encabulado e morrendo de medo um cavalinho do fundo do estábulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ió! Não me basta um pardal, como direi, cocozar na minha cabeça, cocô este que, deslizando pela minha testa e atingindo meus olhos escorreu para o canto esquerdo da minha boca, vem ainda uma mulinha a mostrar a mandíbula como se fosse uma hiena saída de um bestiário! Ora essa, cale-se, senão vai ver o que é tratamento de gente grande!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A bestinha quietou-se ressentida da patada verbal, patada esta que repercutiu nas demais alimárias que ficaram mortas de medo de virem a ser tratadas como homo sapiens pelo mestre quadrúpede.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8894137129454004425?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8894137129454004425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/13-escola-de-cavalgaduras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8894137129454004425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8894137129454004425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/13-escola-de-cavalgaduras.html' title='Escola de cavalgaduras'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-6074039609651942708</id><published>2011-06-12T00:13:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:05:44.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os três enganos'/><title type='text'>Os três enganos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Três enganos eram irmãos. Um era alto, forte, bonito e presunçoso; outro, nanico, feio, gorducho e místico; o terceiro... esse era um astuto. Antes de partirem desta para melhor, os pais deixaram aos três irmãos quantias iguais em dinheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O alto, forte, bonito e presunçoso pegou a grana e se mandou para a costa oeste dos Estados Unidos, onde, depois de camelar um bocado lavando automóveis, juntou algum e montou uma barraca de bugigangas havaianas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Veio um daqueles tornados, comuns por lá, soprou, soprou, soprou e derrubou a barraca do coitado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O nanico, feio, gorducho e místico usou o larjam para se formar em cozinha francesa e foi para a Inglaterra ganhar a vida como &lt;i&gt;maître&lt;/i&gt; de importante hotel de convenções. Lá, deu ordens em francês impecável, passando-se por parisiense da gema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Um dia, pronunciou inadvertidamente a palavra “saravá”. Um garçom, despeitado, aspirou fundo aquele som baiano e correu soprá-lo, soprá-lo e soprá-lo nos ouvidos da gerência. A casa caiu por cima do falso gaulês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O terceiro irmão, o astuto, emprestou seu capital a juros exorbitantes, formou-se em economia pagando a faculdade com o lucro da agiotagem, tornou-se ministro da fazenda e foi morar de graça em residência oficial, a qual, garante, se cair, não é por cima dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Moral da história: De todos os enganos, o pior tinha de ficar no Brasil e se tornar ministro da economia, poxa?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-6074039609651942708?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/6074039609651942708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/12-os-tres-enganos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6074039609651942708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/6074039609651942708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/12-os-tres-enganos.html' title='Os três enganos'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-2756331386718045167</id><published>2011-06-12T00:12:00.008-03:00</published><updated>2011-06-14T09:06:05.868-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mas não é dois'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='É grande e feio'/><title type='text'>É grande e feio, mas não é dois</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Vinte anos são tempo suficiente para os que não têm firme propósito se esquecerem de seus objetivos, de seus sonhos e até mesmo de escovar os dentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, não para Ulisses, cuja persistência, testada pelos deuses e pelo destino, o conduziu de volta a Ítaca, para os braços família e do povo grego, não se sabe se de dentes escovados, já que as narrativas de Homero são omissas com relação a esse particular da higiene bucal, na época irrelevante para a carreira de herói, mas hoje decisivo para carreiras artísticas, para as quais se exige sorriso impecável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Mas não nos deixemos levar pelos cantos de sereia das digressões e retornemos à lenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Conta-se, determinaram os ventos que uma das muitas aventuras do legendário herói grego por vinte anos de esquecimentos e vicissitudes se desse na caverna do ciclope Polifemo, gigante antropófago, muito cioso da saúde de sua boca escancarada e cheia de dentes, mas pouco dado a cercar de cuidados seu único olho plantado bem no meio da testa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vocês gregos têm pouca carne e muita fibra – comentou Polifemo, após trancar a caverna e olhar com aborrecimento para Ulisses e seus marmanjos.&amp;nbsp; – Vai ser o diabo para limpar os dentes, já que o fio dental só será inventado no século vinte – prosseguiu o gigante aborrecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A lenda confessa que a idéia de ficar preso entre os perfeitos dentes de serrinha do gigante causou profunda indignação entre os marujos, e mais ainda em Ulisses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vamos esperar que durma e cortar-lhe as pernas, disseram uns.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vamos arrancar-lhe as orelhas, disseram outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Comamos pedras para que ele quebre seus perfeitos dentes de serrinha quando nos morder, berrou alguém apenas parcialmente astuto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Cravemos-lhe nossas espadas e lanças sob suas unhas, propôs outro, menos prático e efetivamente sádico, antes mesmo de o Marquês de Sade vir ao mundo, muitos séculos depois, para dar origem ao respectivo adjetivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Descorçoado por suas espadas serem menos que palitos de dentes para as proporções do ciclope, e por ter de ouvir&amp;nbsp; a conversa fiada de seus comandados, Ulisses achou que caía mal o insistente o uso do plural: pernas, orelhas, pedras, dentes, espadas... Então disse aos comandados:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sendo Polifemo grande como é, se lhe atacarmos o que tem de plural, comer-nos-á a todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Comer-nos-á? Que expressão mais indigesta! – reclamaram os marujos, que, no entanto, concordaram com a idéia do líder revolucionário, exposta a seguir nos seguintes termos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Damos um porre nesse cabra, esperamos o dito cujo dormir e furamos-lhe o único olho visual, já que os únicos olhos duplos que ele tem são no pé: dois mortiços olhos-de-peixe, mas esses não podem ser cegados, pois que já cegos são, e devem doer uma calamidade, de modo que não convém mexer neles senão o gigante é capaz de ficar cego de raiva e nos papar só de vingança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Os parvos marujos, sem entender direito a malícia da dupla adjetivação empregada por Ulisses para único olho visual de Polifemo, concordaram com ele quanto ao mérito da questão, pois todos também tinham lá seus olhos-de-peixe, cada qual com os seu próprio, para cegá-los de dor de vez em quando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, até que o ato criminoso de lesão ocular se desse, de acordo com a lenda, os marinheiros tiveram motivos para se indignar efetivamente, pois o gigante papou vários deles, com olhos-de-peixe e tudo, antes do e durante o porre. E ele não fez caso de palitar os dentes na frente das visitas com um fêmur descarnado com escárnio e com o perdão do aparente repeteco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Desde logo se observara que o que sobrava em apetite e dentes ao ciclope lhe faltava em modos e etiqueta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O marujo que propusera quebrarem-lhe os dentes ainda teve ensejo de ver que sua idéia não teria surtido qualquer efeito, pois, antes de adormecer, Polifemo retirou da boca a dentadura dupla e depositou-a num grande barril com água, sobre uma rocha que lhe servia de criado-mudo, numa época em que esse móvel estava longe de existir. De qualquer modo, a rocha era mesmo muda, até histórias fantásticas tem seus limites. E desse modo explicaram-se os perfeitos dentes de serrinha do gigante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O resto da história todos sabem: antes de fugirem, Ulisses e seus marujos vazaram o único olho visual do coitado, agravando-lhe a deficiência, igualando-lhe em condição o solitário órgão de visão aos demais olhos cegos de seu corpo desproporcional e estabelecendo um provérbio que, se não é de todo sábio, não deixa de ter certa validade prática:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;“Quem tem um, não tem nenhum”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O que, pensando bem, vale também para os dentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-2756331386718045167?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/2756331386718045167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/11-e-grande-e-feio-mas-nao-e-dois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2756331386718045167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/2756331386718045167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/11-e-grande-e-feio-mas-nao-e-dois.html' title='É grande e feio, mas não é dois'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-5941341629211932392</id><published>2011-06-12T00:12:00.007-03:00</published><updated>2011-06-14T08:54:41.255-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aula de fofoca'/><title type='text'>Aula de fofoca</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;1&lt;sup&gt;a&lt;/sup&gt;. Estágio da fofoca: A culpa é dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Alô...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pode falar, dona Encarnación.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Lembra-se daquele aparelho que eu deixei para conserto e que vocês me mandaram de volta para eu testar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Como não, eu mesma é que lhe enviei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pois é: vocês me mandaram com uma parte faltando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas como?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pois é. Vocês sumiram com uma parte e me mandaram o aparelho exatamente para que eu testasse essa parte que está faltando. Além do mais a pintura não é a que eu pedi. Mas não fique preocupada. O seu chefe não precisa saber, senão, acho que vai ficar meio fera com vocês. Estou mandando de volta. Vocês reparam os erros e me mandem de volta. Fica entre nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ah, dona Encarnación, faz favor, então. Deus lhe pague.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vê se bate o telefone com mais cuidado...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– É, essa dona Encarnación que me irrita. Faz pedido errado e agora a culpa é nossa. Deixa a gente louca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas, aqui no pedido, parece que ela está é certa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Que certa o quê! Agora vai ficar do lado dela é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;2&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. Estágio da fofoca: Quem ela acha que é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Seu Marcondes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pode falar, dona Encarnación.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– A chefe da seção de reparos fez uma grande bobagem com o aparelho que eu mandei a vocês.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas como? Ela foi contratada pelo próprio dono, no lugar daquele tal de Severino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O Severino era muito competente, essa menina é que está me aborrecendo dobrado. Só estou lhe procurando porque não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que terei de lhe devolver o aparelho, que já deveria estar em uso se os senhores cumprissem o prometido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas ela...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Olha, seu Marcondes, não sou funcionária de vocês, então não preciso ficar com meias palavras: essa menina está comandando uma equipe em que todos dominam mais a arte do que ela. Ela se dava melhor se estivesse na posição de aprendiz. Ela não tem nada a ensinar, é muito nova, não conhece o assunto. De qualquer modo, o problema é de vocês. Mas o aparelho não pode ficar como está. Espero que o senhor compreenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Oi, gente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Oi!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Dona Encarnación! Como vai seu netinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Dona Encarnación! Que lindo vestido florido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Esperamos que a senhora goste de como ficou o aparelho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Tcham, tcham...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Hmmm... Hã-hã. Não ficou bom. Eu já tinha falado ao seu Marcondes que não queria assim. A pintura... mandei mudar – observem: mandei, pois aparelho é meu. Sei que parece indelicado frisar, mas parece que não fui suficientemente clara pela milésima vez. Refaçam, ou me devolvam o dinheiro. Olha gente, se vocês não trabalharem como combinamos, terei de pedir providências ao chefe de vocês. E agora me deixem ir que estou irritada. Me telefonem assim que tudo estiver tal como vocês prometeram. Espero que logo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;3&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. Estágio da fofoca: Ela me paga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ainda bem que foi embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Arrogante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Insuportável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não dá valor ao trabalho dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Humilha os funcionários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Acha que é Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Nunca foi com a cara dessa velha carcomida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Imagina, ter de refazer o trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Despreza os menores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Uma coisa é certa: vai morrer como todo mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Se essa história do aparelho dela que não fica pronto nunca chegar aos ouvidos do seu Marcondes, ele vai ficar uma fera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Depende da versão que chegar primeiro, né, gente?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Isso é verdade...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;4&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. Estágio da fofoca: Caricaturas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não me diga... Quem diria, na aparência, tão cheia de fineza...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– É, seu Marcondes... Duas caras, duas máscaras: para os grandes, mansa e cordial; para os menores, arrogante e autoritária. E não se engane: é capaz ainda de se fazer de vítima e pintar os coitadinhos dos funcionários como monstros, se lhe der ouvidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Já batalhei muito na vida, minha cara. Aos meus é que não humilham, não. O mercado está farto: não é por um cliente que se perde a dignidade, ah, isso é que não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;5&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. Estágio da fofoca: Feita a fama, deita-se na cama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Dona Encarnación, pegue seu aparelho e fique com ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sr. Marcondes, o que se passa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não me venha com conversas. Não aceito que tratem meus funcionários como se ainda estivéssemos no período da escravidão. Passar bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– E meu aparelho, com fica?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;-Vire-se. Vá ao Procon, vá para onde a senhora quiser, acione o Estatuto do Idoso, ora, vá procurar sua turma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center; text-indent: 35.45pt;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;“Poxa vida, quem será que eu ofendi? Às vezes é melhor ficar calada. Não me lembro de ter ofendido, mas no nervoso sei lá. Ah, seja o que Deus quiser. E bola pra frente.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Bom dia, minha senhora...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Encarnación. Bom dia, senhor...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Genaro. Pois bem, que deseja?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Olha, vou deixar o aparelho aqui, mas o senhor não se incomode: vamos pôr no papel, tintim por tintim, tudo como deve ser feito, prazos, condições, multas por não cumprimento de cláusulas&amp;nbsp; etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas a senhora é muito desconfiada, dona Encarnación.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vivendo e aprendendo, seu Genaro. Vivendo e aprendendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sem problemas, sem problemas, dona Encarnación. É melhor assim. Coisa solta sempre dá o que falar. Eu, mesmo, prefiro: o que está&amp;nbsp; no papel, agente cumpre. O resto... é fofoca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história 1: uma aula de português:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Fofoca é um gênero narrativo. A linguagem da fofoca é complexa e envolve muitos elementos confusos. A fofoca tende para a linguagem indireta, com preferência para as caricaturas. A autoria da fofoca é de difícil identificação. O assunto da fofoca é sempre rebaixado. A fofoca tem variados graus de letalidade. Fofoca faz sempre uso de canais, veículos e códigos de fácil despistamento, por um motivo simples: ninguém gosta de fofoqueiro. A fofoca só se difunde em condições propícias e vive de quem lhe dê ouvidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história 2: aula de filosofia irônica, na qual se propõem umas questões lingüístico-filosóficas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quem dá ouvido a fofocas é também fofoqueiro? Ouvir distraidamente fofocas é dar ouvido a elas? Por que dona Encarnación não tomou conhecimento das fofocas que faziam dela? Em que estágio a fofoca poderia ter sido interrompida sem causar danos? O que o leitor acha da dona Encarnación, do seu Marcondes, do seu Genenaro e de demais personagens? Você não tem nada a fazer, além de ficar dando ouvido a fofocas? Ah, pelo amor de Deus!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 14pt;"&gt;&lt;br clear="all" style="page-break-before: always;" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;&lt;h1 style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc135989402"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc35837650"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc27477660"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc27475233"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc27466885"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=5941341629211932392" name="_Toc26356338"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;10. A lanterna de Diógenes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Conta a fábula antiga que Diógenes, cínico e sarcástico, andava pelas ruas da mundo antigo com uma lanterna em busca de um homem justo. O tempo passou, as necessidades mudaram, aumentaram...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Diógenes agora vagava pelas noites em busca de homens quaisquer que fossem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O que tá procurando, seu Dióges?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Homens, tem aí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Como interpretassem que se trava de metáfora, diziam:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Esse Dióges é um cínico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– É, ainda mais com essas roupas transviadas que usa, cheias de lanternas e lantejoulas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Seja pelo cinismo, seja pela má interpretação, mandaram-lhe para o inferno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Fala de uma vez, o que procura aqui, grego do inferno? – era o capeta recebendo-o de braços abertos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Falo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vê se acha o que procura aí no meio dessas almas penadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Os olhos de lanterna de Diógenes regalaram-se ao verem ali alguns ex-patrões, ex-amigos e ex-espertos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não, nada serve. – E riu seu riso franco, no qual as almas penadas enxergaram sarcasmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Então, vá com Deus, renegado do inferno!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E assim fez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O que busca nesta porta estreita? – Era o arcanjo Gabriel quem perguntava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Homens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Aqui só tem anjos, mas... se quiser dar uma olhadinha...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não, não – disse, balançando a cabeça, desolado. E foi-se por entre as estrelas, com a lanterna dos olhos acesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Diógenes não era nem cínico, nem sarcástico, nem pedófilo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-5941341629211932392?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/5941341629211932392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/9-aula-de-fofoca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/5941341629211932392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/5941341629211932392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/9-aula-de-fofoca.html' title='Aula de fofoca'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8350199013393030312</id><published>2011-06-12T00:11:00.004-03:00</published><updated>2011-06-14T08:55:17.377-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vaca mal acompanhada'/><title type='text'>A vaca mal acompanhada</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O pleiboi, sem que ninguém lhe desse a mínima, estacionou –&amp;nbsp; entre aceleradas bruscas, cantadas de pneus e derrapagens estridentes de filme de quinta categoria – sua camioneta metálica importada, polida, de pneus talas largas, na vaga da farmácia reservada aos deficientes físicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Minha vaca está com gases. Me venda um remédio e toma o dinheiro – disse ao farmacêutico que, encorujado em seus grandes óculos, esticou o pescoço por sobre as omoplatas do referido pleiboi, para observar a referida vaca consumidora de antiflatulentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Só vendo o produto farmacológico se tirar o carro da vaga dos deficientes – piou o profissional medicamentoso fazendo cara de mocho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas o estacionamento está livre, só tem a minha camioneta lá. Se alguém chegar pode estacionar em qualquer vaga...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não interessa. A vaga é para deficientes físicos e está bem sinalizada. Queira estacionar seu veículo corretamente, ao fim do que o senhor será atendido com prontidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Da camioneta, por sobre o cupim do boi de engorda, a vaca sorria constipadamente para o farmacêutico, iludindo-se que seus dele farmacêutico olhares eram para suas infladas tetas à distância visíveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– E tem outra coisa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Qual? – perguntou o boi, seguindo o olhar indicativo do farmacêutico:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– A tua vaca tá com aspecto cataquético, tem de levar é no veterinário!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– E é grave?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O caso pode ser realmente explosivo, meu caro, explosivo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O boi saiu, então, sem o dito antiflatulento, cantando os pneus da sua reluzente camioneta, não se sabe se para que todos notassem sua partida, já que ninguém dera a mínima para sua chegada, ou se por urgência de a vaca ser entregue aos cuidados do profissional especialista em pecuária inflamante, o que de nada adiantou, pois a vaca explodiu ainda dentro da camioneta matando os dois ocupantes e arranhando a pintura, um horror.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: O problema muitas vezes não é ser vaca nem padecer de flatulência: é andar com quem agita demais e não resolve necas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br clear="all" style="page-break-before: always;" /&gt; &lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc135989400"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc35837648"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc27477658"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc27475231"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc27466883"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=631045531377987051&amp;amp;postID=8350199013393030312" name="_Toc26356336"&gt;Animais não são politicamente corretos&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A besta encontrou o burro abruptamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– O meu dono é fanho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quiá, quiá, quiá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ajoelharam-se de tanto rir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nisso, chegou a mula, que acabara de ser desatrelada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Posso rir também?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– É pra já: o dono dela é fanho. Em vez de falar “Vai, minha filha”, fala “Fãi, miã vilha”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quiá, quiá, quiá, quiá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nisso,&amp;nbsp; chegou o asno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Já sei, já sei: estão contando a do fanho, né? Essa é demais. Quiá, quiá, quiá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O jegue já vinha se arrastando de rir, só de imaginar do que se tratava. Quando lhe contaram, então... desmontou-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quiá, quiá, quiá, quiá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;É lógico, o registro das risadas muares nos parágrafos anteriores são metafóricos, pois elas não são iguais às de gente, se bem que em matéria de mostrar dentadura, em muitos casos, muito se semelhem. De qualquer modo, ninguém está livre de ser alvo do riso de bestas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Nem õs vanhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Morãl fingãtifã: Ê melhor ser vãnho dõ que ãndãr de quãtro e puxãr cãrrôçãs.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8350199013393030312?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8350199013393030312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/8-vaca-mal-acompanhada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8350199013393030312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8350199013393030312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/8-vaca-mal-acompanhada.html' title='A vaca mal acompanhada'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-8149491695057498612</id><published>2011-06-12T00:10:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:06:31.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A rosa e o bode'/><title type='text'>A rosa e o bode</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Já estava mais do que na hora de alguém tomar uma providência, e é por isso que a dona Rosa enfrentou o cão do vizinho e foi falar com a dona Inês, que repousava, no quarto, de outra surra do marido bode.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– A senhora está envergonhando a categoria, minha amiga. Esse negócio de ficar apanhando do marido bode sem reagir legalmente e por demais meios não está certo não. Não pode continuar não. Ou a senhora se conserta ou vocês vão ter com a polícia, que já estão é amolando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas sou eu que apanho, que é que vocês têm a ver com isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Estamos conversadas. Ou param ou vão ver o que é espinho de roseira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Dias depois, sob bofetadas do marido bode, dona Inês entrou na boléia do caminhão de mudanças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vergonha, vergonha, vergonha! – bradava, punhos fechados para o alto, à frente do caminhão, a dona Rosa, de quem falavam, aliás, &amp;nbsp;muito mal, porque era divorciada e acoitava em casa um namorado vinte anos mais moço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vergonha, vergonha, vergonha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Se a dona Rosa não sair da frente do caminhão logo, a baixaria vai continuar por mais um tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-8149491695057498612?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/8149491695057498612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/7-rosa-e-o-bode.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8149491695057498612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/8149491695057498612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/7-rosa-e-o-bode.html' title='A rosa e o bode'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-7112906994454892544</id><published>2011-06-12T00:09:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:07:01.238-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A ovelha e o boi'/><title type='text'>A ovelha e o boi</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A ovelha e o boi a foram à assembléia dos bichos que trataria dos problemas da criação. À entrada do sindicato da bicharada, encontraram o escorpião, que lhes disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vote em minhas propostas, senão... dou-lhes umas picadas mortíferas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas, como é que vamos saber quais são elas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não precisam, é só erguerem as mãos quando eu erguer minha cauda no momento da votação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Assim fizeram os animais, sem maiores ruminações, e ficaram de bem com o escorpião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Tendo ouvido a conversa, a cobra esperou a primeira votação terminar e disse ao casal de cascos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Tolos, votaram contra seus próprios interesses. Se não votarem corretamente, sairão daqui fatiados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas... como saber quais são nossos interesses?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não precisam, ungulados. Quando eu erguer minha cauda, me acompanhem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– E se não quisermos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Então... Pico-os mortiferamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Convencidos de que era melhor não se indisporem com a víbora, os inocentes ovino e bovino, respectivamente, votaram nas propostas viperinas e ficaram de bem com a dita representante popular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Vimos o que vocês fizeram contra nossos interesses – disseram-lhes, então, o bicho barbeiro e o mosquito da dengue. – Se não votarem conosco o próximo item da pauta, picá-los-emos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Picar-nos-ão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Oh, yeah, bródis!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– E assim foi feito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, em meio à assembléia que prosseguia, ouviram-se vozes contrafeitas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Votaram contra nós, mofinos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mofinos não: ovinos e bovinos, ora essa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pois são mofinos, mesmo! – disseram a sarna, a lombriga, a berne e o carrapato aos mofinos malouvintes e malvotantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quem, nós? Espantaram-se os ruminantes, fazendo-se de malentendidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Sim, e agora verão o que é bom para tosse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E atiraram-se sobre eles os parasitas, seguidos por escorpiões, cobras, insetos, lagartos mil e demais grupos de pressão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Quem quer ficar de bem com todos, que prepare o couro para as muitas ferroadas de amigos, inimigos e demais bichos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-7112906994454892544?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/7112906994454892544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/6-ovelha-e-o-boi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7112906994454892544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/7112906994454892544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/6-ovelha-e-o-boi.html' title='A ovelha e o boi'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-4412769554388809508</id><published>2011-06-12T00:08:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:07:27.706-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A lebre mais esperta que uma mula'/><title type='text'>A lebre mais esperta que uma mula</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Após experimentar muitos insucessos na vida profissional, política, afetiva e social, a esperta lebre decidiu que algo de errado deveria estar ocorrendo às outras pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, como a esperta lebre não tivera jamais olhos para quem não a considerasse uma esperta lebre, ocupada como sempre estivera com suas altas orelhas e sua auto-atribuída vasta esperteza, como saber apontar e extirpar os enganos muitos a que as outras pessoas sempre estão sujeitas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E a esperta lebre movia as agudas orelhas para lá e para cá, matutando nessa questão central de sua atávica filosofia que consistia o centro também de seu abanar de calda longa a espantar moscas dos quartos traseiros: como aperfeiçoar as outras pessoas não se sabendo ao certo o que são, quem são ou mesmo se apenas são ou não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Anda a lebre de lá para cá no estábulo, bufa, raspa o chão com os cascos e vai ficando sempre mais confusa, mais confusa, mais confusa, mas na mais completa confusão... Até que não se lembra mais acerca do que vinha pensando e em torno do que sua raiva dava pinotes circunvagantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ah! Sim! Lembrou-se! Se estava raivosa, os culpados, esses malditos!, só podiam ser os outros, essa praga! Por exemplo: os mosquitos, que a obrigavam a manter a calda sempre em movimento, caso contrário, picadas, ferroadas, zumbidos lhe infernizavam o couro, os miolos, os ouvidos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Por que, meu Deus, nasci lebre, por quê? – clamava ao céu das bestas o animal mal ferrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Gertrude, eu amo ocê, ara – e essa não era a voz do Senhor, que não fala em dialeto caipira, mas de seu dono e proprietário, também chamado de “senhor”, porém com inicial minúscula. – Poxa, ocê é a coisa mais bonita, querida e sociarmente sacodida do síteo, não sabe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Enquanto dizia essas palavras cheias de um sincero sentimento ao ouvido orelhudo do animal, que, reparando bem, tinha um focinho muar, o caipira lhe acariciava o pelo duro, avermelhado e lustroso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Gertrude, eu escovo ocê todo dia pros seus pelo ficá briiando, tiro-le as berne, lustro-le os ferro, mas ocê não larga dessa cara de coêia carente de capim, sô. Isso fere a gente, dói que nem ingratidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E Gertrudes movia as altas orelhas pontiagudas, abanava a calda de espantar mosquitos e fantasmas, cavava o chão com uma pata dianteira e lançava o olhar vazio de entendimento e cheio de presunção para o senhor, que a não diferençava de uma besta e que a punha para puxar cargas, quando sua vocação dourada sempre fora o exercício atávico da filosofia da leporina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-4412769554388809508?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/4412769554388809508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/5-lebre-mais-esperta-que-uma-mula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4412769554388809508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4412769554388809508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/5-lebre-mais-esperta-que-uma-mula.html' title='A lebre mais esperta que uma mula'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-4575255463183564553</id><published>2011-06-12T00:07:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:07:46.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A escola não vale nada'/><title type='text'>A escola não vale nada</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Duas amigas estudavam numa escola pública. Uma achava que não chegaria a lugar nenhum, e estava certa: “Com esta escola? Com estes professores? Com estes livros? Não chegarei a lugar nenhum!".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A outra pensava contrariamente, nos mesmos termos, invertendo, porém, dubitativo (?) e exclamativo (!): “Com esta escola! Com estes professores! Com estes livros! Não chegarei a lugar nenhum?” E também estava certa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Parábolas respeitam ordem cronológica por princípio, saltam no enredo por prática retórica e vão direto aos fatos por objetividade quando interessa, o que explica o próximo parágrafo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Anos depois as amigas se encontraram. Como eram duas cabeças duras, ambas mantinham cada qual sua opinião:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;“Continuo achando o mesmo d’antes no quartel de Abranches”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;“Eu também”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Neste ponto, interrompemos a parábola com a finalidade de acrescentar, para maior deleite do leitor adepto de narrativas edificantes, que a segunda amiga se formou em medicina, depois de contrair, pela abundância de leitura, uma leve miopia. De qualquer modo, certas pessoas ficam bem de óculos, e esse era um caso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Ah! Íamos nos esquecendo, a primeira amiga realmente não chegou a lugar nenhum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Opiniões exatamente contrárias podem estar igualmente corretas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-4575255463183564553?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/4575255463183564553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/4-escola-nao-vale-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4575255463183564553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/4575255463183564553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/4-escola-nao-vale-nada.html' title='A escola não vale nada'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-3999610482979142816</id><published>2011-06-12T00:06:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:08:07.147-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A amizade na selva'/><title type='text'>A amizade na selva</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O coiote andava se sentindo meio solitário, por isso vagou pela floresta à caça de algum bicho que topasse ser seu parceiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Canarinho, quer ser meu amigo? Estou me sentindo meio infeliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Não, disse o pássaro amarelo. Pi-pi-pi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E, antes que pudesse explicar a recusa, foi devorado numa só dentada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Rejeitado e deprimido, o coiote prosseguiu sua jornada em busca de um parceiro com quem pudesse partilhar momentos de felicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Você gostaria de me fazer companhia? – Perguntou à lebre, depois de já tê-la engolido inteira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Infeliz e macambúzio, o lobo só viu sua tristeza aumentar ao constatar que elefantes, hipopótamos e rinocerontes tinham péssimos ouvidos para conversas lamuriosas de coiote.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quando desanimara por completo, encontrou um seu primo cachorro-do-mato, mais vivido e experiente, ao qual expôs seu dilema e o qual o admoestou em tom sentencioso, enquanto já se afastava desconfiado:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;– Conforme-se à solidão, meu caro, pois a última coisa de que qualquer besta precisa é de amigo coiote.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-3999610482979142816?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/3999610482979142816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/3-amizade-na-selva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3999610482979142816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3999610482979142816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/3-amizade-na-selva.html' title='A amizade na selva'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-3420179623932624546</id><published>2011-06-12T00:02:00.002-03:00</published><updated>2011-06-14T09:08:28.565-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A alegria não é o que parece'/><title type='text'>A alegria não é o que parece</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Pai!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Hum?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Essa aqui é a alegria, não é bonitinha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Ah, que linda é a alegria. É colorida, não é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– É. Agora olha esse outro desenho. É a tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Nossa, que feia. Mas por que a tristeza é tão grande e a alegria é tão pequenininha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– A tristeza é grandona para ser difícil de carregar, e a alegria é portátil pra gente poder levar pra todo canto. E agora mereço um prêmio chamado pirulito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E foi com essa conversa sutil que Letícia, que em latim significa “alegria”, convenceu o pai a levá-la à padaria para comprar doces.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Moral da história: Letícia, do latim: alegria, é portátil. E astuta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-3420179623932624546?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/3420179623932624546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/2-alegria-nao-e-o-que-parece.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3420179623932624546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/3420179623932624546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/2-alegria-nao-e-o-que-parece.html' title='A alegria não é o que parece'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-5778317879636746459</id><published>2011-06-11T23:58:00.003-03:00</published><updated>2011-06-14T09:08:56.814-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João e Maria'/><title type='text'>João e Maria</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Maria casou-se jovem, bonita e cheia de sonhos, com João, que não bebia, era trabalhador e só tinha o defeito de ser ciumento. Apanhou tantas vezes por causa dos ciúmes dele que resolveu engravidar, pois homem nenhum teria coragem de espancar mulher grávida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Funcionou na primeira vez, mas João logo atinou para o ardil da mulher e deu-lhe tanto de uma outra oportunidade que a fez abortar a segunda gestação com o acréscimo de três costelas fraturadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quando ficou boa suficientemente para falar em divórcio quase foi ter com Deus por antecipação, ante o olhar cheio de horror do filho pequeno que assistia a cena, tremendo como quem cai num pesadelo do qual está condenado a não sair.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O Senhor então, bastante aborrecido com João, que trabalhava para abreviar na Terra a existência de alguém a quem Ele havia predeterminado longevidade, chamou-o à reflexão em sonho, numa longa admoestação. Porém, João em sonho bocejou, em sonho cochilou e ficou sem entender o sonho que teve, porque, dentro do sonho, dormiu e acabou perdendo o final do sermão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;E foi por isso que faleceu abruptamente, horas depois de acordar, quando dizia um punhado de palavras más à companheira na presença do menininho, que chorava muito e ainda mais com seus choros infantis pedia talvez justiça divina que, consumada, o pôs em sossego.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Maria, por sua vez, não chegou a sentir demasiado a morte de João porque Deus pôs-lhe no pensamento, em português castiço, esta frase “Vai-te, estorvo”, no exato momento em que o estorvo caia de borco, fulminado celestialmente por um raio sobre a xícara quente de café, azulado, não o raio, não o café, mas o João.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Anos mais tarde, após se ter novamente casado e se ter tornado mãe de numerosa prole, feliz e já bisavó, Maria teve um sonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nele, o Senhor lhe dizia que sua hora estava próxima, ao que Maria, boa de memória, respondeu imprudentemente:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Senhor, viverei mais cem anos na Terra sob os desígnios do capeta, e depois sigo direto para o inferno, se no céu tiver de reencontrar o João.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;O Senhor então, rindo-se da grande ignorância de Maria, disse-lhe:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Minha filha, João já ardia no inferno antes mesmo de ir ter a óbito súbito. O que andava por aí na Terra a lhe atormentar era apenas uma carcaça vazia que, por insignificante, escapara ao capeta sem que este o percebesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Mas, e o Joãozinho, Senhor? – intrigou-se Maria em sonho. – Como é que pôde esse menino sair tão bonzinho como filho, e ainda mais como pai, tendo tido como pai uma carcaça vazia?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A isso o Senhor respondeu enigmaticamente:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;– Quando nascem, todos vós não sois carcaça nem vazios. Todavia, podem escolher, na medida em que crescem ou diminuem em entendimento, o egoísmo ou a solidariedade, a opressão ou a liberdade, o acovardamento ou a luta pela dignidade, a exploração do mais fraco ou o auxílio a ele, a lucidez ou a intolerância, entre outras tantas coisas mais que compõem a virtude etc. etc. etc.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Porém, pecado da senilidade, mas pecado, a lista de alternativas politicamente corretas e socialmente justas ditada pelo Senhor era tão vasta que Maria, velhinha como estava, acabou perdendo o final do sermão, por ter cochilado em sonho, do qual jamais acordou.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Moral da história: Sendo-se justo ou não, é arriscado cochilar enquanto o Senhor prega.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-5778317879636746459?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/5778317879636746459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/1-joao-e-maria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/5778317879636746459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/5778317879636746459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/1-joao-e-maria.html' title='João e Maria'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-631045531377987051.post-1828246304992642768</id><published>2011-06-11T23:55:00.001-03:00</published><updated>2011-06-12T00:48:49.553-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paródia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='0. Fábula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábola'/><title type='text'>Fábula, parábola, paródia</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que Esopo – segundo consta escravo, gago e corcunda – empregava em suas histórias linguagem indireta para ludibriar seus senhores, há quem desconfie. Porém, que suas fábulas enviesadas e irônicas tinham como alvo os muitos vícios do espírito e do comportamento humanos, não há quem discorde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6eo0ckPSp3g/TfQ2jjqh0rI/AAAAAAAAARM/s16JsiuOsMc/s1600/DSC00866.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-6eo0ckPSp3g/TfQ2jjqh0rI/AAAAAAAAARM/s16JsiuOsMc/s320/DSC00866.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Fábulas e parábolas desde Índia, China, Arábia e Grécia antigas se popularizaram como literatura e como ensinamento, por envolver cuidados de linguagem, imaginação e crítica moral, seja lá o que for isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Este &lt;span style="font-family: &amp;quot;Old English Text MT&amp;quot;;"&gt;Livro Sábio dos Ridículos &lt;/span&gt;é uma coletânea de paródias de fábulas e parábolas, como o próprio título sugere. Tratam dos escorregões a que todos nós, se nos distraímos, estamos sujeitos, mercê de nossa condição imperfeita e muitas vezes propensa a deslizes, ilusões, erros, mentiras, enganos, falhas, pecados e vexames. E fiquemos por aqui na lista de escorregadelas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;A paródia, se implica subversão, também implica referência e reverência: ao mesmo tempo em que se afasta da fonte, se reflete nela como um Narciso deformado que, quanto mais se olha, menos se vê belo e mais se vê caricato. Quem diz caricatura, diz humor, riso – nem que seja um riso torto, desses que a gente esconde cobrindo a boca com a mão para que ninguém veja a gente se divertindo com quem acaba de escorregar na maionese.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Quando o lobo quer comer a ovelha, não importa que ela more ou não no lado de baixo do rio: para o lobo que a quer devorar, ela será sempre a responsável pela sujeira na água que ele bebe rio acima. O problema é esse lobo ser nosso chefe e a ovelha ser a gente. E uma história como essa só pode ser engraçada para uma outra ovelha que esteja torcendo para o lobo só para livrar a sua própria pele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Nestes tempos bicudos em que vivemos, cheios de ovelhas interesseiras e ainda mais de lobos em pele de chefes, convém, antes de tudo, rir. Se esse lobo vai nos engolir mesmo, então que fique esse riso entalado em sua garganta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;Este &lt;span style="font-family: &amp;quot;Old English Text MT&amp;quot;;"&gt;Livro Sábio dos Ridículos &lt;/span&gt;extrai de situações patéticas do nosso cotidiano não lições, como as parábolas e fábulas tradicionais, mas esgares sobre a nossa moral para lá de elástica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/631045531377987051-1828246304992642768?l=livrosabiodosridiculos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/feeds/1828246304992642768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/fabula-parabola-parodia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1828246304992642768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/631045531377987051/posts/default/1828246304992642768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livrosabiodosridiculos.blogspot.com/2011/06/fabula-parabola-parodia.html' title='Fábula, parábola, paródia'/><author><name>OH! GranDiOso FÁ!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10147653478510230594</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-t5X06zf4FhE/ToowCyAqCoI/AAAAAAAAAVc/X09vpDu8x1Q/s220/DSC_0051a.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6eo0ckPSp3g/TfQ2jjqh0rI/AAAAAAAAARM/s16JsiuOsMc/s72-c/DSC00866.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
